As eleições para um novo governo estão agora à porta, o que é que sabemos de concreto para que possamos votar? Bem, temos à esquerda o jovem mas já famoso Bloco de Esquerda que pouco mais sabemos acerca dele do que precisamente isso, que é jovem. As ideias que quer ou não por em prática parece que não chegam ao público se é que existem. Este "partido" parece preferir criticar tudo e todos com um ar de superioridade que não lhe fica bem visto que não apresenta soluções concretas para serem postas em prática e ao invés disso parece gostar de usar o seu tempo de antena para passar "sketches" de mau gosto remixando e usando frases de outros políticos tiradas fora do seu contexto. Além disto pouco mais se sabe acerca deste partido excepto que é liderado pelo Sr. Franscisco Louçã.
Ainda à esquerda temos a CDU que é uma coligação constituída pelo PEV e pelo PCP. Do PEV pouco se sabe, do PCP sabemos que tem um novo líder. Pois na minha opinião o Sr. Jerónimo de Sousa é um dos políticos desta campanha que melhor está na política. Não faz críticas insultuosas aos seus adversários, apresenta as suas ideias calmamente e com suficiente clareza, e tem objectivos realistas, uma perfeita consciência de que não irá ser primeiro ministro nestas eleições e que o melhor que pode fazer é eleger mais deputados para representar o seu partido. Foi uma pena neste debate televisivo hoje transmitido pela RTP1 que Jerónimo de Sousa estivesse doente e não pudesse ter tido oportunidade de falar mais tempo nas suas ideias para o país. O PCP ficou a ganhar com este novo líder, que apesar da idade que aparenta trouxe um novo sangue e energia ao partido comunista português.
À direita temos o CDS/PP na pessoa de Paulo Portas. Neste debate Paulo Portas conseguiu melhorar um pouco a sua imagem lembrando a falta que as escolas profissionais fazem a Portugal, sendo civilizado e calmo. No entanto sabe-se que o Sr. Paulo Portas tem uma ambição desmedida e que tem uma tendência forte a investigar no campo em que se insere prejudicando um pouco os outros, como foi o caso que se falou tanto de gastar dinheiro a comprar novos submarinos. Não está em causa se Portugal precisa ou não de submarinos e outro equipamento nas Forças Armadas, precisa, mas penso que não é de todo a maior prioridade deste país.
Na esquerda temos ainda o PS que tem como nova face o recentemente eleito Sr. José Sócrates. Foi Ministro do Ambiente durante o Guterrismo e foi um ministro muito polémico que irritou muita gente e teve mesmo políticas que foram danosas para o país. Além disso "contracenar" com o Eng. Guterres nos seus comícios não é bom para a sua imagem ao contrário do que este julga. Será que já todos se esqueceram da "paichão na Heducação" do Sr. Guterres que tanto apregoou melhorias na educações e depois acabou por se viver o período mais "negro" no sistema educacional do país? Um rendimento mínimo garantido sem haver fiscalização suficiente para implementar essa medida? Quantas pessoas conhecem que recebem esse subsídio e na realidade não necessitam dele? Se fossem continuar a enumerar as políticas Guterristas nunca mais saia daqui..., como ilustração final o próprio Guterres acabou por ser demitir por não conseguir lidar com o caos que criou. Além disso o Sr. Sócrates parte do princípio de que as eleições estão ganhas e que vai ser primeiro-ministro de Portugal com uma maioria absoluta desrespeitando assim o livre pensamento dos eleitores que podem exercer o seu dever de voto noutros partidos e ilude os indecesivos na ilusão de que não existe alternativa ao seu partido. Durante todo o debate foi claro que foge a muitas perguntas e demonstrou não estar suficientemente a par da realidade do país e das políticas actuais em vigor no país tentando disfarçar com a frase "Por amor de Deus..." que foi sem dúvida a frase mais repetida durante todo o debate.
Por fim temos o PSD na figura de Pedro Santana Lopes, que esteve muito pouco tempo no governo. Apanhou um mandato a meio e foi logo à partida muito contestado pelos partidos de oposição pegando no termo legitímidade governativa como se batatas fritas do McDonnalds se tratasse. As pessoas esquecem-se que quando estão a votar num governo para o país estão a votar num partido e não numa pessoa. O partido que ganhou as eleições anteriores foi o PSD e não o partido Durão Barroso, este apenas deu a cara durante as campanhas e depois se tornou primeiro-ministro pelo simples facto de ser o dirigente do partido que ganhou as eleições. Além disso 4 meses não é suficiente para julgar a governação do Sr. Santana Lopes. Os partidos de oposição, insultam o nome de Cavaco Silva criticando as políticas que ele usou, mas será que alguém consegue nomear alguém que tenha sido melhor primeiro-ministro que Cavaco Silva desde o 25 de Abril? E já lá vão 30 anos... Claro que Pedro Santana Lopes não é o Cavaco Silva, e que o seu governo também não é perfeito, mas à clareza dos factos, que são muito poucos dado o curto tempo que esteve no governo até ao momento, temos a certeza que o seu governo é viável. Além disso Pedro Santana Lopes não foge às perguntas por mais incómodas que sejam nem às critícas e apresenta claramente quais são as políticas que vai continuar ou implementar se for nomeado primeiro-ministro novamente nestas próximas eleições. O seu trabalho como presidente da Câmara Municipal de Figueira da Foz e como presidente da Câmara de Lisboa foram muito elogiados, e como primeiro-ministro não é em 4 meses que se podem julgar o seu trabalho.
Dia 20, independentemente do partido de vossa eleição, saiam de casa por uns minutos sem ser apenas para o café e para o cinema e vão votar! Votar não é apenas um direito é também uma obrigação e dever cívico e moral!
As eleições legislativas servem para eleger deputados para o Parlamento...
Mesmo que as eleições legislativas servissem para eleger um governo as últimas teriam eleito um governo do PSD e não do PSD + CDS-PP.
O trabalho de Santana na Câmara Municipal de Lisboa elogiado?!?! Onde?!?!
Afixado por: Bombeiro Voluntário em fevereiro 16, 2005 11:56 AMUm discurso tendencialmente de direita (a minha preferência política) mas com algumas incorrecções que gostaria de salientar.
O Bloco de Esquerda, ao contrário do que aqui foi sugerido, é um partido muito activo no Parlamento. Desconheço números actuais, mas a manter-se a tendência dos últimos anos, é o partido que mais projectos-lei apresenta na Assembleia. Para além disso, apesar de não ter uma política global definida (e nem tal se pede de um partido sem ambição governativa - sebém que o CDS também nunca a teve e acabou por lá chegar), tem posições muito esclarecidas e lúcidas sobre questões específicas e relevantes.
O PS, pessoalmente, já não se enquadra claramente na esquerda. Arriscaria a dizer que, neste momento, é um partido mais de direita do que de esquerda, como aliás tem sido frisado pela esquerda portuguesa. A convergência com o PSD em matérias sensíveis para o progresso do país reforçam essa ideia.
Posto isto, deixo uma reflexão. Não seria do nosso interesse que os nossos políticos caminhassem no sentido da social democracia europeia, como advoga Sócrates? Não será esse o caminho; abraçar o melhor da esquerda e o melhor da direita. A Finlândia, neste momento (dados recentes), é dos países mais desenvolvidos mundialmente, rivalizando em diversas áreas da economia com os USA, tomando a primeira posição em algumas.
Afixado por: JesusRocks em fevereiro 17, 2005 06:24 AMEu não disse que o BE não era activo nem não tinha ideias, o que eu disse ou tentei dizer é que não as passa devidamente para o público geral. Usa os tempos de antena de um modo infantil em vez de informar o público das suas ideias e projectos. Só quem se dá ao trabalho de se informar do que se passa no parlamento é que fica com uma ideia claro do que esse partido tenta fazer. Além disso, ao contrário que dizes Franscisco Loução já afirmou várias vezes que pretende eventualmente chegar ao governo, não para já, mas no futuro próximo.
O PS do meu ponto de vista pessoal é uma desilusão, o tempo do Guterres foi um desastre total na educação e quase tudo se ficou pelas promessas. Com Sócrates a ideia principal dele é a evolução tecnológica. Eu estudo informática e insero-me nesse ramo há já muito tempo e acho que neste momento a tecnologia não é nem deveria ser uma prioridade. É dos poucos campos em que não estamos tão atrasados quanto isso em relação à Comunidade Europeia e neste momento parece-me que a economia nacional, fomento do consumo, e estímulo do emprego aliado à rentablização das empresas que temos e investido em ramos pouco explorados em Portugal. Isso sim, parece-me ser o que é importante para Portugal neste momento. Sócrates apenas diz criar n empregos, alías disse, porque já admitiu que o número que andientou não é realista, mas não diz como, e a tecnologia não é uma área em Portugal onde exista pessoas especializadas em número suficiente para criar muitas empresas nesse campo, a menos que se dê emprego a pessoas que não estão preparadas para trabalhar num campo onde a aprendizagem não é nada fácil (informática não é sómente usar o PC na óptica do utilizador como a maioria está habituada no dia-a-dia), e empregar pessoas não preparadas para desempenhar as funções a que deveriam dar resposta só pode ter um resultado desastroso. O PS fala muito em fazer mas não explica como e quando o explica é muito suspeito que resulte na prática.
Cheers :)
P.S.: Em breve vou ver se ponho qualquer coisa no templo, em principio vai ser uma review ao CD dos MOFO. :)
Afixado por: HeartLess em fevereiro 17, 2005 08:47 PMPois, uma coisa que não compreendo ainda no discurso do PS (entre muitas outras), é como é que um Governo democrático cria postos de trabalho: empregam-se aquelas pessoas todas na Função Pública? Também não é por aí, já que o PS apresentou uma proposta de redução da carga da Função Pública. Os empregos são as empresas que os criam, e assumir um compromisso como o que Sócrates assumiu (ou objectivo ou raio que o parta) em relação ao (des)emprego é deixar o Governo (caso o PS vença no dia 20) nas mãos dos grandes empresários. Enfim...
Cheers :)
(estou a preparar um review do 'Live at the Budokan' dos DT mas o meu tempo é cada vez mais limitado :( )
Afixado por: JesusRocks em fevereiro 18, 2005 04:59 AMO Durão Barroso estava nas listas do PSD, quando o partido ganhou as eleições há 3 anos. O Santana Lopes não, é essa a diferença.
Afixado por: bruno em fevereiro 19, 2005 11:49 AMOs rostos podem mudar, os partidos continuam a existir com as mesmas ideias semelhantes. E se ele em vez de se ter ido embora tivesse tido a infelicidade de ter um acidente? Será que quando Pedro Santana Lopes fosse nomeado para o substituir também haveria tanta coragem para contestar a sua legitimidade?
Afixado por: HeartLess em fevereiro 20, 2005 05:41 AMEu contestaria o Santana Lopes independentemente do motivo. Acredito que se lá estivesse a Manuela Ferreira Leite, hoje não havia eleições.
Afixado por: bruno em fevereiro 20, 2005 10:29 AM